sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Madre Paula



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Quando chegava a parte de D. João V, eu era só uma planta a absorver a água que me colocavam no vaso. Era um dos melhores capítulos das aulas de História e, mais tarde, de Português, com Memorial do Convento. O meu imaginário vagueava por aquela época. Os professores diziam que D. João V nunca fazia por menos: um convento aqui, uma biblioteca ali, mais um aqueduto noutro lugar... E tudo polvilhado a ouro... Muito ouro.

Quando me falaram desta série tive muita curiosidade em ver, não só por abordar uma figura carismática do panorama monárquico português, mas também para perceber como funcionava a vida privada da corte e que influência tinha o convento de Odivelas na lascívia dos homens nobres. 

Bom, em primeiro lugar, apesar de D. João V ter sido um rei todo pomposo, a verdade é que no que diz respeito à beleza... Não está bem bem ao nível do ator Paulo Pires. Das representações que temos, o Magnânimo era um bocadinho bolacha e envergava uma peruca farfalhuda que faz lembrar umas orelhas de caniche. O ator Paulo Pires tende para o magro e alto e enverga uma peruca pobrezinha no que diz respeito à pilosidade. Contudo, deixemos os padrões de formosura de lado. 




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Madre Paula foca a vida das mulheres que iam para os conventos, não por devoção, mas por necessidade. Já que as famílias não podiam dar às jovens donzelas as condições que elas mereciam, os conventos outorgavam-lhes comida, roupa, teto e, acima de tudo, um contexto. Todavia, a palavra do Senhor não enche barriga. Claramente, o sonho da maior parte das jovens não é passar uma eternidade de clausura. Como as demais da corte, gostariam de vestir roupas bonitas, comer iguarias, ir às cerimónias importantes, conhecer o amor e consumá-lo. 

À semelhança da sua irmã, Paula é enviada para o convento de Odivelas para ter melhor fado, já que o pai de ambas é um simples ourives sem trabalho. Desde o primeiro momento, Paula rejeita a vida que lhe impuseram e ignora as suas rotinas de noviça. A raiva consome-a cada vez mais, quando percebe que as sorores que mantêm casos secretos com homens nobres têm a acesso a uma vida luxuosa e despreocupada dentro do convento.

Paula começa por perceber, com o Conde de Vimioso, que satisfazer a luxúria dos mais ilustres lhe trazia benefícios. Porém, o conde acaba por se revelar possessivo e grosseiro nas palavras que profere. Um outro valor mais alto se alevanta. O rei de Portugal arrebata o coração de Paula e vice-versa. O homem poderoso e intransigente, que põe a nação acima de qualquer vontade, quebra quando está com a monja de Odivelas. Muitas vezes assistimos ao domínio da freira que, com a artimanha sexual certa, lá consegue alguns reais para garantir uma vida estável para o pai e para a irmã.

O dinheiro da coroa portuguesa não é o principal objetivo de Paula, a jovem sonha com mais do que isso. Rainha é um título de obtenção impossível, mas a soror vai fazer de tudo para não ser apenas ''mais uma amante do rei''. Quer ser reconhecida e respeitada, ainda que a rainha Maria Ana não lhe vá facilitar o percurso. (Já agora, acho que a Sandra Faleiro está a fazer uma interpretação magistral... Desde o sotaque ao ânimo frio e áspero, Maria Ana de Áustria reivindica o seu papel de mulher enquanto ser sexual. Frustrada com as sucessivas traições do marido, a rainha deixa bem claro que não é um simples objeto de reprodução.)



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O caos está lançado na corte e, todas as quartas feiras, sai um novo episódio deste tumulto. No entanto, podem acompanhar a série quando e onde quiserem através do RTP Play.



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Escrito por Susana Ferreira. 

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