sexta-feira, 28 de julho de 2017

E tudo o vento levou


Fonte: http://akns-images.eonline.com/eol_images/Entire_Site/201477/rs_560x315-140807142408-2014-08-07_14_06_36.gif



🌞🌞🌞


Não sou, de todo, uma beach girl. Contudo, todos os anos, lá me vergo, pontualmente, aos dias soalheiros. Quando era pequena, era daquelas crianças que, de cinco em cinco minutos, perguntava:


«Mãããããããããe, já posso ir à água????????????»


Por algum motivo, o fascínio pela praia foi desaparecendo. Não sei se por causa das inseguranças ou de certos complexos que tiveram génese na adolescência. Talvez. Agora adulta (mas pouco), estou a tentar recuperar essa tentação irresistível que era ir à água, estar ao sol para ficar com as marcas do biquíni e ouvir o pregão:


«OLH' Á BOLACHA AMERICANA!! TORRADINHAAA!!»



Comprei um fato de banho giro e, ontem, lá fui eu toda pimpona para a praia com duas amigas. Fomos logo de manhãzinha para apanhar aquele cheiro a ''murisco'' (como dizia uma vizinha minha) e aproveitar o dia ao máximo. Comecei a questionar o meu esforço de ''recuperar o tempo perdido'' quando olho para uma das minhas amigas e vejo-a completamente artilhada: chapéu-de-sol, almofada, toalha às costas, uma seira, um casaco para o frio, coque na cabeça e óculos no rosto. Se uma estava bem guarnecida a nível de acessórios, a outra trazia fatias de um bolo de iogurte que havia feito na véspera. Realmente, os amigos são tudo o que podemos querer nesta vida. 

Bom, lá montámos o arsenal sobre a areia. Entretanto, alguém sugere: 



«Vamos molhar os pés para ver como está a água?»



A água estava calma, a maré estava baixa e eu dava tudo para me banhar. Mas... Mas não estava assim tanto calor e aquele mar (álgido) não queria conhecer somente a minha pele. Queria meter-se nos meus ossos e conhecer a minha medula. As tíbias gritavam de dentro de mim:


«Abortar missão! Abortar missão!!!»


Abortei. Fui depositar o meu esqueleto vaidoso na toalha e apanhar os primeiros banhos de sol de 2017. Pelo menos, até me deparar com um segundo entrave. Deitei-me de barriga para baixo e verifiquei que estava demasiado prensada ao solo. As minhas glândulas mamárias queriam alguma liberdade, caso contrário iriam ficar espalmadas. Resolvi, então, fazer dois buraquinhos na areia para tudo ficar no seu lugar. 


Ok. Chega de estar deitada. Vamos lá ler um livrinho. Sentada. Com as costas expostas ao sol do meio-dia. Ups, parece que alguém está com a pele vermelha! Animación!!!

Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-epMymbS-zwg/UweN1UrYXII/AAAAAAAAACM/uEjT2x1Oo0M/s1600/camaron.jpg


Pelo menos, o senhor da bolacha americana passou. 


«OLH' Á BOLACHA AMERICANA!! TORRADINHAAA!!»


Vamos lá ver se, da parte da tarde, isto corre melhor. Depois do almoço, sentimos necessidade de fazer aquela caminhada da praxe pelo paredão. Quer dizer, eu não senti. Na verdade, nunca sinto. [https://cantosuperiordireito.blogspot.pt/2017/05/a-primeira-lei-de-newton.html]. Estava a ver que nunca mais chegava ao farol verde. Foi uma caminhada conturbada, já que o vento me empurrava para a esquerda e eu só queria seguir em frente.

O meu exercício físico correspondente ao mês de julho estava feito, por isso decidimos dar uma segunda oportunidade à praia. Desta vez a água estava excecional, estava uma boa temperatura na areia e havia muito espaço. Mas... Mas o vento voltou a empurrar para a esquerda. Então começou uma espécie de teaser dos filmes de A Múmia. Por momentos pensei que, do areal, poderia emergir o Imhotep, juntamente com o seu exército. Imhotep, Imhotep, Imhotep...


- Bem, vamos embora? Não estou a gostar! - dizia a minha amiga do bolo de iogurte.

- Sim, vamos! - concordámos - Tentamos noutro dia!




Escrito por Susana Ferreira. 


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