sexta-feira, 31 de março de 2017

O Vencedor do Festival da Canção

Fonte: http://eurowizja.org/wp-content/uploads/2017/02/logo_festival_2017.jpg



Salvador Sobral, um jovem de 27 anos, é o nosso representante no Festival Eurovisão da Canção, em Kiev.

A canção foi resultado de uma composição da irmã, Luísa Sobral, finalista do programa Ídolos e a indumentária fruto das mãos da mãe.

A música tornou-se, desde logo, uma das preferidas do público mas a imagem do intérprete causou estranheza. 


Fonte: http://www.vip.pt/sites/default/files/styles/slider/public/images/noticia/2017/2017-03/2017-03-20/vip-pt-24366-noticia-eurovisao-os-inimigos-de-salvador-sobral.jpg?itok=34QnbZ1P


Os espectadores julgaram o aspeto e os gestos invulgares e depressa o rotularam de "drogado". Esta associação revelou-se fácil! Mais difícil se mostrou compreender a autenticidade que o carateriza.

A melodia fala de amor, da des(aprendizagem) desse sentimento, e o protagonista envolvi-a numa representação genuína, facto que só é possível porque a sente enquanto canta. Também por isso, ouvi-la constitui um momento tão agradável.

Lembro-me de escutar a música, já depois do Festival da Canção e pensar:

- Ele é um génio!

A bizarria está na maioria dos casos relacionada à genialidade, ele parece-nos diferente, e na realidade é. Alguém capaz de se servir da arte como meio de se expressar e transformar-se através dela, ao ponto de nos tocar.

Recentemente falava com uma aluna de Literatura Portuguesa sobre a peça de Raul Brandão, O Doido e a Morte, e concluímos que a invulgaridade que descreve algumas pessoas, tida como loucura, possibilita algumas das grandes inovações que vemos no mundo.

Seria hipócrita se dissesse que sempre assisti ao Festival Eurovisão da Canção, não é um programa da minha eleição. Este ano, não prometendo vê-lo, vou torcer pelo Salvador Sobral, ele merece-o 👏👏


Ouçam e partilhem as vossas opiniões nos comentários!



Escrito por Mariana Pinto

quarta-feira, 29 de março de 2017

Vira o disco 💿


Tendo nascido no final dos anos 60, o meu pai experienciou toda a música que se fez nos anos 70 e 80. Na época, adquirir um vinil já era considerado um pequeno luxo para um menino da aldeia. Do que me conta, sempre que podia lá comprava mais um livro ou um disco do Círculo de Leitores. Os meus avós não gostavam que esbanjasse o dinheiro desta forma, mas, ao que parece, isso não o demoveu. Apresenta uma coleção generosa de discos, ainda que alguns tenham ficado perdidos no seu tempo. 

Decidi mostrar-vos os exemplares da coleção que mais me cativaram. Tenho pena de não ter nenhum gira discos. (O que o meu pai tinha acabou por se estragar.) O som deve ser muito diferente dos dispositivos a que já nos habituámos. 🎶






Os que não podiam faltar: ABBA e The Rolling Stones. O primeiro disco inclui os êxitos Super Trouper, Voulez-Vous, Gimme Gimme Gimme e uma música que a minha irmã ADORA, Winner Takes It All. Já o vinil da banda mais bem-sucedida de todos os tempos, reúne faixas como Angie, Start Me Up, Miss You, Brown Sugar, entre outras. 






Os pop: Flashdance e Michael Jackson. Ainda hoje a What a Feeling e a Beat It nos fazem sentir invencíveis. 







Os rock: O senhor da voz rouca cantava, por volta de 1982, o sucesso Guess I'll Always Love You. Por sua vez, a banda Duran Duran, um ano antes, lançava Like an Angel e My Own Way






Os românticos: Olhem que três! No início dos anos 80, Phil Collins cantava contra todas as probabilidades, George Michael dava-nos o instrumental de saxofone mais cool de sempre e Lionel Richie estava preso a alguém a quem iria dizer Hello






Os portugueses: Não é por serem portugueses, mas são os discos com as capas mais bonitas (na minha opinião). Realço, claro, as capas de José Cid e de António Variações. A Como o macaco gosta de banana, deve ser das músicas mais icónicas e mais engraçadas de José Cid. Também o irreverente António Variações nos apresentava, em 82, uma das suas magna opera - Estou Além. No mesmo ano, os DaVinci cantavam Hiroxima (meu amor) e os Taxi suspiravam pelo ''distante'', ''excitante'' e ''apaixonante'' Cairo

Em 1981, Marco Paulo tinha o seu tufo cada vez mais pomposo e encaracolado. 



💿💿💿


Escrito por Susana Ferreira. 

sábado, 25 de março de 2017

Laranjada 🍊





Embora o ditado «Março, marçagão, manhãs de inverno e tardes de verão» não se esteja a fazer sentir, há que realçar que a primavera já chegou. Uma vez que eu e a Mariana gostamos tanto de batons, decidi besuntar este março (carrancudo) em tons de laranja. 



🍊🍊






Os batons são um dos meus guilty pleasure. Como não tenho grande talento para os jogos de sombras ou para um eyeliner perfeito, extravaso quando chega o momento de colorir os lábios. O laranja nunca me agradou particularmente mas, por algum motivo, ando a inclinar-me muito para essa tonalidade. 





O batom da Essence foi-me oferecido por uma amiga e uso-o sempre no verão. É um laranja rosado que me faz lembrar o ano de 2015 e de como ele foi pleno e frutífero (#nostalgia). 

O batom d' O Boticário e o lápis jumbo da Astra transportam-me para o clip da música Green Light, da Lorde e para o universo de Stranger Things, mais precisamente para os tons que a personagem Barbara utiliza. Gosto de servir-me de objetos ou de cores com algum significado e amparo-me muito nas séries e nos clips com que mais me identifico. 


Fonte: http://ell.h-cdn.co/assets/17/09/980x490/landscape-1488492670-elle-lord-greenlight.jpg


Fonte: https://typeset-beta.imgix.net/rehost%2F2016%2F10%2F31%2Fa09534ca-e2d4-4e87-ad55-a7f04ef6da42.jpg


Por sua vez, o Silk Matte e o Supermatte da Flormar, mais fortes do que os anteriores, são uma reminiscência dos anos 80. Recentemente, vi o episódio 4x3 de Black Mirror, intitulado de San Junipero, e fiquei contagiada pela liberdade, alegria e jovialidade dos ditos ''loucos'' anos. 




Enfim, espero que se sintam inspirados e motivados a arriscar... Ou a alaranjar.  🍊 🍊




Escrito por Susana Ferreira. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Hello brothers, Goodbye brothers.

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Faz hoje precisamente uma semana que terminou uma das séries da minha vida. Não, não é pela magnifica obra de arte que foi moldada durante estas (arrastadas, admito) oito temporadas. Porque não considero, de todo, que seja uma obra de arte. Contudo, ainda foram alguns anos a acompanhar, semana a semana, as aventuras dos irmãos Salvatore em The Vampire Diaries. Comecei a ver este drama adolescente em 2013, apanhei o barco a meio do caminho, mas os quatro anos que se seguiram permitiram que estabelecesse uma certa afetividade e compromisso com a série.

Digamos que The Vampire Diaries é aquele guilty pleasure que se vê num sábado preguiçoso.

TVD encerra inúmeros acasos, os protagonistas enfrentaram vilões poderosos, quer para salvar a sua própria pele quer para defender o futuro da prodigiosa Elena. Até à 6.ª temporada, o argumento prendeu-se muito com a dinâmica amorosa Stefan-Elena-Damon, todavia, com a saída da atriz Nina Dobrev, a série tomou um novo rumo e focou-se (e bem) na relação dos irmãos que permitiram que esta história acontecesse durante oito anos. A série inicia com a promessa de um ajuste de contas entre os Salvatore e termina com uma declaração de amor fraternal.



Fonte: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/fc/f7/31/fcf7314d013f4444bb95b2c80a94f9f8.jpg


Apesar de muitos episódios surpreenderem pela sua qualidade técnica e por se apresentarem como verdadeiros filmes de ação, outros deixam escapar pormenores importantes. O capítulo final, que deveria ser o suprassumo da excelência, falhou claramente no que diz respeito à caracterização da personagem Elena Gilbert. A peruca que escolheram para a atriz (que agora usa cabelo curto) não era adequada, distraindo o espectador ou provocando o riso nas cenas de maior tensão dramática.

Confesso que não senti falta da Elena na jornada final da série, porém os criadores desejaram que ela regressasse do seu estado de coma e vivesse uma vida longa e feliz ao lado do Damon. Reconheço que era do agrado dos seguidores que um amor tão peculiar acabasse de uma forma harmoniosa e se prolongasse tanto quanto permite a vida humana. Espantou-me, no entanto, a falta de química entre o casal que, outrora, recebeu prémios e menções honrosas pela sua interpretação notável.

Por outro lado, ainda que, em algumas ocasiões, TVD se tenha transformado numa feira de enchidos, o final foi bem rematado, tocando em pontos muito sensíveis e nostálgicos para o espectador. A doação que Klaus* enviou para a escola que Caroline fundou, a aparição de personagens que marcaram o início da série, os corvos a esvoaçar pelo cemitério enquanto Elena escrevia no diário e a despedida de Stefan contribuíram para a apoteose da história.

Na minha opinião, a cena final que retrata o encontro dos irmãos (na vida eterna) é sublime. Só poderia acabar com uma mensagem de redenção, a elevar o valor da família.


Vou ter saudades...


Fonte: https://68.media.tumblr.com/053aed95deb3cac93d14704ed656ca27/tumblr_inline_ognfhx7Hll1u86kr9_500.gif



(*The Originals regressa hoje, dia 17 de março. Há que sublinhar que apesar de TVD ter sido uma série experimental em alguns aspetos e voltada, sobretudo, para um público adolescente, The Originals apresenta uma história madura e uma qualidade técnica muito acima do drama que lhe serviu de base.)


Escrito por Susana Ferreira. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

What Ever Happened Baby Jane?



Abram o ringue para Bette Davis e Joan Crawford, as atrizes que aproveitaram a sua rivalidade para viverem no cinema as personagens de Jane e Blanche



As duas irmãs prodigiosas, "Baby Jane", o ídolo dos mais novos e Blanche, o verdadeiro talento. Um acidente dita o final artístico de ambas, e elas são encerradas em casa, tendo de encarar o seu fracasso. Jane torna-se amarga e humilha a irmã que, após a tragédia, está numa cadeira de rodas.


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/a/a9/What_Ever_Happened_to_Baby_Jane.jpg



Tudo aponta para que o acidente tenha sido obra da maléfica Jane que nunca aceitou o facto de a irmã ser vista como a real estrela. No entanto, o desfecho revela-nos que, como sempre, as aparências enganam.


Fonte: https://laamoraa.files.wordpress.com/2013/10/whatever-happened-to-baby-jane.jpg





Apreciador de tramas obscuras, Ryan Murphy inspira-se no confronto entre estas atrizes para desenvolver a sua nova série: Feud


Fonte: http://www.seriesdatv.pt/wp-content/uploads/2017/02/Feud-2.jpg


Com uma longa e desgastada carreira, Joan Crawford (Jessica Lange) procura um sucesso que a faça voltar à ribalta. Ela recusava todos os roteiros que lhe apresentam, não vendo neles potencial. Até que a sua fiel criada, lhe traz um livro de seu nome What Ever Happened Baby Jane? Não lhe dando grande crédito de início, através da leitura se apercebe que aquela é a história que quer representar. 

Após suborno, o diretor que Joan quer que dirija o filme, consegue contar com os responsáveis pela execução do mesmo. Depressa se coloca a questão: quem contracenará com Joan, dando vida a Baby Jane, já que a atriz já tinha escolhido o seu papel de Blanche?

Joan tem tudo pensado e desafia Bette Davis (Susan Sarandon), com quem nunca se deu bem, para encarnar o papel da maldosa Jane. 
Enlevada pelo livro, Bette aceita e as gravações começam com constantes atribulações.

Aquelas que são as maiores atrizes da sua época prestam-se à missão de apresentar uma história de terror, onde não vão, nem por um momento, esquecer-se de aproveitar o desdém mútuo para representar magistralmente as suas personagens.


Fonte: http://www.wunschliste.de/gfx/pics/Susan-Sarandon-And-Jessica-Lange-In-Feud-2.jpg



Escrito por Mariana Pinto

quinta-feira, 9 de março de 2017

A senhora de cabelo grisalho

Ilustração de Rita Lopes.


Uma senhora de cabelo grisalho, com bijuteria cor de prata nas mãos e nas orelhas. Veste, maioritariamente, preto e carrega um acompanhante. Anda de um jeito frouxo mas apresenta alguma delicadeza na forma como pega na carteira e, sobretudo, nele. Está quase sempre feliz. Não sei o seu nome nem tenho a certeza do que faz. Dizem que veio para Portugal para estudar, que acabou por se estabelecer cá e que trabalha no meio universitário. 

Sobra-me muito tempo para observar as pessoas. Frustradas, felizes, tímidas, ingénuas, honestas, simpáticas, fúteis, dependentes, encolerizadas, tristes, presunçosas, alheadas, descomprometidas, dissimuladas, pragmáticas, resolvidas, gananciosas, ávidas, pessoas que não queriam a vida que têm e pessoas perfeitamente satisfeitas com a vida que escolheram. Todas elas passaram por mim... Tantos tipos de pessoas, e ela a menos matemática... 

- Ó Susana, já pensaste que ela é só maluca? 

Não, não pode ser. Estouvados todos somos. 

- Ela pode estar ligada a certos rituais e ao ocultismo!!

Não, não pode ser só isso. A forma como ela o envolve na manta, o acarinha, fala com ele... Há ali qualquer coisa que merece mais explicação. Só se separa dele quando precisa de tirar a carteira da mochila. Senta-o num canto, verifica se ele está direito e confortável, dá um sorriso tímido e volta a atenção para o seu interlocutor. 

Todos sabem quem ela é mas ninguém a conhece. Sabem de histórias relacionadas com ela e com o seu companheiro mas ninguém sabe a origem daquela parceria. 

Eu que gosto de um bom mistério e que estou sempre a formular pensamentos vagos dentro da minha imaginação fértil e, por vezes, pouco útil, já avancei com duas hipóteses. Acredito que tenha perdido um filho e que precise de extravasar a necessidade de aconchegar e de mimar.  Ou, simplesmente, tenha encontrado o seu próprio método para suprimir a solidão. 

Não lhe consigo perguntar. Tenho receio de espoletar uma reação que cause embaraço. 

Ahhh... O mistério mantém a curiosidade viva. Quando se sabe a verdade, tudo fica menos interessante, a magia desaparece. Contudo, eu ainda vou descobrir... Eu ainda hei de descobrir... 

Eu hei de saber por que motivo a senhora de longos cabelos grisalhos se faz acompanhar de um sapo de peluche e o envolve como se de um bebé se tratasse.




Escrito por Susana Ferreira. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

The Edge Of Seventeen 👟👟😪

Fonte: http://topdezfilmes.org/wp-content/uploads/2017/02/The-Edge-of-Seventeen.jpg


Apesar de ainda não ter entrado bem na onda da Hailee Steinfeld, decidi ver o filme mais recente que esta protagoniza e ... MEU DEUS... Fiquei agradavelmente surpreendida com o potencial da jovem atriz (e cantora). O filme não me sai da cabeça e isso deve-se à interpretação extraordinária da Hailee. 

👟


Nadine é uma adolescente à beira de um colapso. Sempre foi uma jovem peculiar, que se fazia acompanhar de uma única amiga. No entanto, depois de ter surpreendido Krista com o irmão, num quarto lá de casa, a amizade das duas encontra-se debilitada. 

Soma-se a isto o facto de Nadine ter perdido o pai quando era criança, de ver a mãe falhar, constantemente, nas relações amorosas em que decide investir e de achar que o irmão mais velho é o ''menino perfeito'' da família.  

A necessidade de cultivar um estilo de vida solitário, de chamar à atenção e de remoer as frustrações faz com que Nadine seja uma personagem, por um lado, absolutamente cómica e, por outro lado, bastante frágil. O espectador solta uma gargalhada e não quer estar, em determinadas situações, na pele dela. Contudo, de seguida, sente vontade de a ajudar e de lhe dizer que a adolescência e o liceu são só uma fase ''tramada''. 

👟

A linguagem corporal da atriz foi o que mais me entusiasmou. Conseguiu transmitir, sem esforço, a imagem de uma adolescente desnorteada, deprimida e carente, o que lhe valeu a nomeação de Best Actress – Motion Picture Comedy or Musical, para os Globos de Ouro. 

E, por falar em prémios, não posso ignorar a presença da jovem na red carpet dos Oscars. No seio de uma cerimónia um bocadinho frouxa, a atriz deslumbrou os fotógrafos com um vestido que fugiu à norma deste ano. 



Fonte: http://www.etonline.com/news/2017/02/24312695/1280_hailee_steinfeld_getty645628022.jpg


Vou ficar, sem dúvida, atenta à carreira desta jovem promissora. 🎥🎥



Escrito por Susana Ferreira.