sábado, 28 de janeiro de 2017

La La Land

Fonte: https://i.ytimg.com/vi/GTWqwSNQCcg/maxresdefault.jpg


Não sou aquela pessoa que vê todos os filmes nomeados para os Oscars antes da própria cerimónia, de modo a torcer fervorosamente pelos seus preferidos. No entanto, gosto de acompanhar e de assistir aos que mais me cativam. 

Depois de ver o Silêncio, fiquei muito desiludida... Achei um filme péssimo. A fotografia é muito bonita e o argumento poderia, efetivamente, elevar a obra de Scorsese a um nível quase lírico. Todavia, na minha opinião, há falhas irreparáveis. Não consegui ultrapassar o facto de terem atropelado a língua Portuguesa, de uma forma TÃO deselegante. Bom, mas isso são outros quinhentos... 

Como fiquei um amargo de boca, tentei ver mais um dos nomeados: La La Land. Seria mais um tiro no escuro? 

Não, de todo! Vamos já tirar esta pedra do caminho: eu gosto de musicais. Não me importava que a minha vida fosse um musical! 😆😅 As personagens resolvem os conflitos a dançar e a cantar! O que podemos querer mais?

Para quem acha o género musical maçudo, tranquilizo-vos. Podem assistir à confiança. Este filme não se assemelha aos Miseráveis, por exemplo. Em La La Land, a dança e o canto são esporádicos e muito bem calculados. Tudo está onde deve estar. Os jogos de luzes, as cores e o guarda-roupa são conjeturados ao milímetro... Porém, tudo isso é oferecido ao público de um modo tão despretensioso e tão natural... Enfim, garanto-vos que há momentos de absoluta poesia!

Os atores Emma Stone e Ryan Gosling contribuem muito para essa apoteose de magia. Não são perfeitos, nem têm de o ser. As vozes e os passos, muitas vezes envergonhados, conferem às cenas a delicadeza e a airosidade desejadas.



Fonte: https://1.bp.blogspot.com/-FKnVXN88CIA/WFv5EQsgJYI/AAAAAAAAMXE/DcLf_6s0gH4WP-VL9aCbqiOBTmPI-aCXQCLcB/s1600/LaLaLand.gif


Mia (Emma Stone) trabalha num bar dos estúdios da Warner Bros. O seu verdadeiro sonho é ser atriz. Enquanto isso não acontece, para além de se deliciar com o ambiente cosmopolita em que está inserida, vai tentando a sua sorte em audições. O dia D teima em não chegar, mas Mia mantém-se positiva.

Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz. Amante do seu género, quer continuar a viver do seu talento e evita, a todo o custo, ser corrompido pela onda pop da atualidade.

As vidas destes criativos cruzam-se numa noite em que a ''vista é perfeita''. A relação dos protagonistas vai evoluindo e, aos poucos, estes vão-se debatendo com questões existenciais, no que diz respeito ao futuro profissional de cada um.


Fonte: http://assets.papelpop.com/wp-content/uploads/2016/11/la-la-land-trailer.jpg

Aconselho vivamente! Penso que mesmo os que não gostam de musicais, vão ficar surpreendidos!


🌟⭐🌠



Escrito por Susana Ferreira. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

«The Young Pope»

Fonte: http://tmn-media-http.edgesuite.net/hbo/prod/minisite_landing/main_feature/537_1024x411.jpg




Ora, ontem, motivada pela temática e pelo protagonista, estreei-me a ver a série "The Young Pope". 


Jude Law apresenta-se como Lenny Belardo, um orfão, e o primeiro pontífice americano a ascender a Papa. 



Como Pio XIII, Belardo agita toda a estrutura do Vaticano, dispensando os que sabe de antemão moverem-se por outros interesses que não a dedicação à religião, o caso de Voiello.




Encíclica: carta solene, dogmática, dirigida pelo Papa ao Clero do mundo católico, ou somente aos bispos de uma mesma nação.


in Dicionário Online de Português [consultado em 24/01/2017]





Deste modo, cerca-se da sua fiel protetora, Irmã Mary, bem como daqueles que pode usar para obter informações sobre os seus pares. 



No entanto, também os cardeais, principalmente Voiello, anseiam descobrir quem é afinal este homem. 

Lenny confunde o próprio espectador, uma vez que as suas atitudes oscilam entre o progresso e o conservadorismo. No entanto, percebemos que esta ambiguidade deriva do seu passado, particularmente da infância, a qual o Papa recorda constantemente. 



Todos já passamos pela situação em que em plena missa, à nossa mente chegam ideias ou pensamentos tidos como pecaminosos segundo os preceitos da Igreja Católica. Não nos recriminemos, se assistirem a esta série compreenderam que as tentações assolam cada um de nós, estejamos mais ao menos afastados da fé. 


Escrito por Mariana Pinto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

This Is US, 老师 e 同学

Fonte: https://lh6.googleusercontent.com/proxy/LHOOb1XRgTwNaoOm1spJGq3HPdHymZecDJMqTQUP46ZbAt1PqsB3PV1rhg1_
GlLvGzD0Wu5aVkbhILJBxbDQ-ea6SnRNUo7eJL_4faFKL8EdolJJmCAlw6FY6KVpnzOEvF5Vsz2BVH64u99PKQMUOH4=s0-d


É engraçado como, de alguma forma, acabamos sempre por nos relacionar com pessoas que partilham os mesmos gostos do que nós, nos locais mais inesperados. Claro que tudo isto acontece naturalmente, sem vincos.

No final do ano passado, comecei a aprender Mandarim. Logo na segunda aula, o professor (lǎoshī, 老师) confessou que era vidrado em The Walking Dead e eu pensei «ó meu deus, já me sinto integrada!».

Para aliviar as aulas, o lǎoshī tira cinco minutos para falar das novidades do cinema, da televisão ou para, simplesmente, contar histórias caricatas que aconteceram nos doze anos que viveu em Pequim.

Nos intervalos, prologamos essas conversas entre nós, colegas. Apesar de termos idades distintas, as séries aproximam-nos. Uma das minhas colegas de turma (tóngxué, 同学) aconselhou-me a ver This Is US e, como já terminei Westworld (#sad), decidi seguir a sugestão dela.

Aqui não se trata o futuro, nem a tecnologia e, muito menos, as consequências disso. Westworld é genial, mas This Is US, dentro do seu género é, igualmente, extraordinária, não tivessem sido elas concorrentes diretas nos Golden Globes deste ano.

This Is US conta-nos a história dos irmãos Pearson, nascidos no mesmo dia e no mesmo ano. Para que compreendamos a situação em que se encontram agora, é-nos dado a conhecer, através de constantes analepses, o percurso das personagens até ao momento presente.

A série ganha pela simplicidade e pela sensibilidade que demonstra. Com uma premissa clara, alerta-nos para os problemas característicos das famílias (as mágoas que ficam entre irmãos ou entre pais e filhos ou, ainda, entre marido e mulher), para a angustiante luta contra obesidade e para a máquina ardilosa de Hollywood.


Fonte: https://heavyeditorial.files.wordpress.com/2016/10/nup_172436_2729.jpg?quality=65&strip=all&w=780&strip=all


Kate e Kevin são gémeos e, como tal, têm uma ligação muito estreita. Kevin não dá um passo sem saber que tem o apoio da irmã. Se ela vive atormentada com o excesso de peso, ele tem de lidar com o facto de ser o «menino bonito» de Hollywood. Ainda que queira alcançar papéis que o desafiem enquanto ator, Kevin é escolhido com base na sua aparência, o que o torna extremamente inseguro quanto às suas faculdades intelectuais. 



Fonte: https://shechive.files.wordpress.com/2016/09/screen-shot-2016-09-21-at-3-48-27-pm.png?w=1135&h=627

Randall é o irmão adotado e negro de Kate e de Kevin. As palavras «adotado» e «negro» foram propositadas, já que é dos estereótipos a elas associados que advêm as contradições de Randall. Por quererem TANTO manter a igualdade entre os três filhos, os pais Pearson esqueceram-se de dar atenção às diferenças. Randall é sobredotado, o que fez com que tivesse de frequentar uma escola específica. Kevin sempre se sentiu inferior face ao irmão «sabe-tudo». Agora adultos, tentam reconstruir uma relação que a adolescência abalou.

Enfim, uma série absolutamente recomendável. Comecei na terça e já vou para o episódio 08! Shhhh... 😇😇



Escrito por Susana Ferreira. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

5 dos melhores desenhos animados

O meu top 5 voltou, e desta vez para elencar alguns daqueles que são os desenhos animados que ficaram na memória de miúdos e graúdos, crianças que assistiam, pais que, por obrigação ou não, também.


👇

Kim Possible 

Corajosa, Kimberly Possible, está pronta a combater o crime, ao mesmo tempo que cumpre as suas obrigações familiares e escolares. Embora, esta protagonista não passe despercebida, o seu melhor amigo, Ron, bem com o seu animal de estimação, Rufus, uma toupeira careca, roubam a cena sempre que aparecem.










As Navegantes da Lua

Traz-nos cinco adolescentes que tem a capacidade de se transformar em super-heroínas. Bunny, a personagem principal, apresenta-se desajeitada e inocente mas, a partir do momento em que veste a pele de "Sailor Moon" passa a ser graciosa e destemida. A aconselhá-la e remediar todas os disparates encontra-se Luna, a sua gata. A par desta trama, está a paixão disfarçada pelo "Chiba Mamoru" (PE. O Mascarado), cujo rosto ela conhece melhor do que pensa. 











Brandy & Mr. Whiskers

Por causa de um descuido, Mr. Whiskers e Brandy caem em plena selva. Os dois passam a ter de conviver, mas as personalidades não podiam ser mais distintas. Os dias dividem-se entre as cenas de histerismo de Brandy, mimada até às entranhas e as tolices absolutamente cómicas de Mr. Whiskers.











Shin-Chan 

Este anime foi recentemente denunciado pelos pais de crianças que consideram perversas certas cenas. Admitindo que a linguagem e comportamentos usados choquem alguns, eles são fundamentais para a vertente pitoresca do desenho animado. Shinnosuke Nohara, um miúdo de cinco anos, atormenta a vida dos pais, dos vizinhos e dos amigos. A sua atitude despojada e pervertida  e os comentários depreciativos escandalizam os demais e tiram gargalhadas a quem assiste.











As Três Irmãs

Intemporal será também esta, a história das trigémias Ana, Teresa e Helena. A primeira, que enverga sempre camisola azul, é a mais romântica e engraçada das três. Teresa, a da camisola rosa, a mais esperta, e Helena, que usa camisola verde, a mais comilona. Graças à Bruxa Onilda, as irmãs entram no universo dos clássicos da literatura infantil e até de acontecimentos históricos.






Nota: Só foi possível encontrar o genérico em Português do Brasil. 




Enquanto escrevia, acorreram-me mais de dez outros desenhos animados que poderiam constar deste conjunto. Contudo, deixo-vos essa tarefa, acrescentem os vossos favoritos 😊



Escrito por Mariana Pinto

sábado, 7 de janeiro de 2017

As primeiras séries de 2017

O ano ainda só tem 7 dias e eu já me meti em mais séries. Numa época de hiatus da ficção americana, não há melhor oportunidade para conhecer outras histórias do que esta!


Fonte: https://i2.wp.com/espalhafactos.com/wp-content/uploads/2017/01/image004.jpg?resize=759%2C450&ssl=1


Desde que a RTP apresentou a série Terapia, fiquei muito curiosa com as produções que o canal exibe. A 02 de janeiro, a televisão pública estreou Ministério do Tempo, uma obra que fez muito sucesso noutros países. 

A premissa tem tanto de sério como de cómico: no século XXI existe um ministério (o segredo mais bem guardado do estado português) que alberga portas que nos encaminham para aos diversos períodos da história do povo lusitano. Os responsáveis desta associação privada selecionaram três agentes que viajam no tempo, de modo a assegurar que a história de Portugal não é alterada ou corrompida. 

Já que dois castelhanos fugiram do século XIV com o objetivo de procurar informação (no século atual) que lhes permita vencer a batalha de Aljubarrota, é urgente devolvê-los ao tempo a que pertencem, deixando a nossa vitória imaculada.

Mas ... Se a tão desejada máquina do tempo existe, será que não surge a tentação de usá-la para um bem próprio? Surge, sim. Penso que esse reverso da moeda irá entusiasmar os espectadores. 

Apesar de, excecionalmente, serem notórias algumas fragilidades a nível técnico, ressalvo que esta obra traz alguma inovação à ficção nacional. É, assumidamente, uma série com boa disposição e com um pouco de tolice, cujo intuito passa por homenagear e revisitar as figuras mais ilustres de Portugal. 

Fonte: http://media.rtp.pt/ministeriodotempo/wp-content/themes/ministeriodotempo/includes/img/personagens-dir.png



📺📺Podem ver os episódios disponíveis aqui. 📺📺



Se Ministério do Tempo é uma série que se aprecia, confortavelmente, durante o serão, a que vos vou falar de seguida é completamente fucked up. 


Fonte: http://assets1.ignimgs.com/2016/09/01/1274080mktpawestworlds1keyartpov1jpg-42cbc1_765w.jpg

Westwold é o nome de um parque de diversões para adultos muito invulgar. Estou no 2.º episódio, no entanto sei que a obra é constituída por 10 capítulos e que retorna para uma segunda temporada em 2018. 

Ainda que um pouco densa, é possível concluir, para já, que a narrativa se desenvolve num mundo futurista. Nesse mundo tecnologicamente avançado, existe uma organização que inventou um parque de diversões inspirado no faroeste. Criaram os cenários e as personagens, dando-lhes uma vida e um guião. Apesar de andróides, as personagens são programadas para exprimir emoções e sentimentos. Em suma, perfeitamente semelhantes ao homem. 

Este parque temático não é para qualquer um... Ou melhor, não é para qualquer carteira. Ser-se abonado é, sem dúvida, um requisito. 

Ao embarcar nesta aventura, os convidados podem satisfazer os seus vícios, dos mais violentos aos mais luxuriosos, tirando partido dos andróides disponíveis no recinto.


MAS... 


Fonte: https://i.ytimg.com/vi/n-Hv5kvfP5A/maxresdefault.jpg


Os andróides começam a apresentar sinais de vida própria... Reações e emoções que não foram previamente programadas.

Sinto que isto não vai acabar bem mas estou cá para ver!! 🙈🙈😄😄


Espero que tenham gostado das sugestões e que vos motive para o início deste 2017. Já conheciam? Qual a vossa opinião?




Escrito por Susana Ferreira. 


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A apologia do Eu

Ela viajava só, sempre com o mesmo destino. Achava-se estranha, pelo menos diferente do que fora. Do lado, olhava o casal que inveja, por se rever nele um dia. Inventara-lhe os nomes, as profissões, inspecionava-lhe a vida e censurava-os pelas falhas. Tinha neles encontrado uma maneira de sobreviver, e não tendo uma história, vivia a deles. 

Alguns de vós reconheceram a narrativa que aqui iniciei, trata-se de A Rapariga no Comboio 

Fonte: http://static.globalnoticias.pt/storage/DN/2016/dn2015_detalhe_topo/ng7673110.jpg




O livro e o filme abrem margem para uma séria reflexão sobre a influência dos outros em nós. Quem não tem história ou a anulou, necessita de subsistir através dos demais. E, muitas vezes, a pessoa nulifica-se por eles, por aqueles que de forma diferente, precisam de inutilizar os que estão a seu lado para se fazerem sobressair. 

Em alguns casos, tende-se a ser espetador de outras vidas porque não há capacidade para desfrutar da própria. A nossa realização, assim como a interação com os outros requer que nos sintamos bem connosco. Alguém que não esteja em pleno, não vai permitir mais ninguém no seu círculo. Além disso, continuará a ser consumida existencialmente para gáudio alheio.

Também a mudança parte de nós, olharmos em frente, e a certa altura, quando nos acharem distintos, dizermos:


"(...) já não sou a mesma (o) que costumava ser."

in A Rapariga no Comboio







Escrito por Mariana Pinto