sexta-feira, 17 de março de 2017

Hello brothers, Goodbye brothers.

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Faz hoje precisamente uma semana que terminou uma das séries da minha vida. Não, não é pela magnifica obra de arte que foi moldada durante estas (arrastadas, admito) oito temporadas. Porque não considero, de todo, que seja uma obra de arte. Contudo, ainda foram alguns anos a acompanhar, semana a semana, as aventuras dos irmãos Salvatore em The Vampire Diaries. Comecei a ver este drama adolescente em 2013, apanhei o barco a meio do caminho, mas os quatro anos que se seguiram permitiram que estabelecesse uma certa afetividade e compromisso com a série.

Digamos que The Vampire Diaries é aquele guilty pleasure que se vê num sábado preguiçoso.

TVD encerra inúmeros acasos, os protagonistas enfrentaram vilões poderosos, quer para salvar a sua própria pele quer para defender o futuro da prodigiosa Elena. Até à 6.ª temporada, o argumento prendeu-se muito com a dinâmica amorosa Stefan-Elena-Damon, todavia, com a saída da atriz Nina Dobrev, a série tomou um novo rumo e focou-se (e bem) na relação dos irmãos que permitiram que esta história acontecesse durante oito anos. A série inicia com a promessa de um ajuste de contas entre os Salvatore e termina com uma declaração de amor fraternal.



Fonte: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/fc/f7/31/fcf7314d013f4444bb95b2c80a94f9f8.jpg


Apesar de muitos episódios surpreenderem pela sua qualidade técnica e por se apresentarem como verdadeiros filmes de ação, outros deixam escapar pormenores importantes. O capítulo final, que deveria ser o suprassumo da excelência, falhou claramente no que diz respeito à caracterização da personagem Elena Gilbert. A peruca que escolheram para a atriz (que agora usa cabelo curto) não era adequada, distraindo o espectador ou provocando o riso nas cenas de maior tensão dramática.

Confesso que não senti falta da Elena na jornada final da série, porém os criadores desejaram que ela regressasse do seu estado de coma e vivesse uma vida longa e feliz ao lado do Damon. Reconheço que era do agrado dos seguidores que um amor tão peculiar acabasse de uma forma harmoniosa e se prolongasse tanto quanto permite a vida humana. Espantou-me, no entanto, a falta de química entre o casal que, outrora, recebeu prémios e menções honrosas pela sua interpretação notável.

Por outro lado, ainda que, em algumas ocasiões, TVD se tenha transformado numa feira de enchidos, o final foi bem rematado, tocando em pontos muito sensíveis e nostálgicos para o espectador. A doação que Klaus* enviou para a escola que Caroline fundou, a aparição de personagens que marcaram o início da série, os corvos a esvoaçar pelo cemitério enquanto Elena escrevia no diário e a despedida de Stefan contribuíram para a apoteose da história.

Na minha opinião, a cena final que retrata o encontro dos irmãos (na vida eterna) é sublime. Só poderia acabar com uma mensagem de redenção, a elevar o valor da família.


Vou ter saudades...


Fonte: https://68.media.tumblr.com/053aed95deb3cac93d14704ed656ca27/tumblr_inline_ognfhx7Hll1u86kr9_500.gif



(*The Originals regressa hoje, dia 17 de março. Há que sublinhar que apesar de TVD ter sido uma série experimental em alguns aspetos e voltada, sobretudo, para um público adolescente, The Originals apresenta uma história madura e uma qualidade técnica muito acima do drama que lhe serviu de base.)


Escrito por Susana Ferreira. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

What Ever Happened Baby Jane?



Abram o ringue para Bette Davis e Joan Crawford, as atrizes que aproveitaram a sua rivalidade para viverem no cinema as personagens de Jane e Blanche



As duas irmãs prodigiosas, "Baby Jane", o ídolo dos mais novos e Blanche, o verdadeiro talento. Um acidente dita o final artístico de ambas, e elas são encerradas em casa, tendo de encarar o seu fracasso. Jane torna-se amarga e humilha a irmã que, após a tragédia, está numa cadeira de rodas.


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/a/a9/What_Ever_Happened_to_Baby_Jane.jpg



Tudo aponta para que o acidente tenha sido obra da maléfica Jane que nunca aceitou o facto de a irmã ser vista como a real estrela. No entanto, o desfecho revela-nos que, como sempre, as aparências enganam.


Fonte: https://laamoraa.files.wordpress.com/2013/10/whatever-happened-to-baby-jane.jpg





Apreciador de tramas obscuras, Ryan Murphy inspira-se no confronto entre estas atrizes para desenvolver a sua nova série: Feud


Fonte: http://www.seriesdatv.pt/wp-content/uploads/2017/02/Feud-2.jpg


Com uma longa e desgastada carreira, Joan Crawford (Jessica Lange) procura um sucesso que a faça voltar à ribalta. Ela recusava todos os roteiros que lhe apresentam, não vendo neles potencial. Até que a sua fiel criada, lhe traz um livro de seu nome What Ever Happened Baby Jane? Não lhe dando grande crédito de início, através da leitura se apercebe que aquela é a história que quer representar. 

Após suborno, o diretor que Joan quer que dirija o filme, consegue contar com os responsáveis pela execução do mesmo. Depressa se coloca a questão: quem contracenará com Joan, dando vida a Baby Jane, já que a atriz já tinha escolhido o seu papel de Blanche?

Joan tem tudo pensado e desafia Bette Davis (Susan Sarandon), com quem nunca se deu bem, para encarnar o papel da maldosa Jane. 
Enlevada pelo livro, Bette aceita e as gravações começam com constantes atribulações.

Aquelas que são as maiores atrizes da sua época prestam-se à missão de apresentar uma história de terror, onde não vão, nem por um momento, esquecer-se de aproveitar o desdém mútuo para representar magistralmente as suas personagens.


Fonte: http://www.wunschliste.de/gfx/pics/Susan-Sarandon-And-Jessica-Lange-In-Feud-2.jpg



Escrito por Mariana Pinto

quinta-feira, 9 de março de 2017

A senhora de cabelo grisalho

Ilustração de Rita Lopes.


Uma senhora de cabelo grisalho, com bijuteria cor de prata nas mãos e nas orelhas. Veste, maioritariamente, preto e carrega um acompanhante. Anda de um jeito frouxo mas apresenta alguma delicadeza na forma como pega na carteira e, sobretudo, nele. Está quase sempre feliz. Não sei o seu nome nem tenho a certeza do que faz. Dizem que veio para Portugal para estudar, que acabou por se estabelecer cá e que trabalha no meio universitário. 

Sobra-me muito tempo para observar as pessoas. Frustradas, felizes, tímidas, ingénuas, honestas, simpáticas, fúteis, dependentes, encolerizadas, tristes, presunçosas, alheadas, descomprometidas, dissimuladas, pragmáticas, resolvidas, gananciosas, ávidas, pessoas que não queriam a vida que têm e pessoas perfeitamente satisfeitas com a vida que escolheram. Todas elas passaram por mim... Tantos tipos de pessoas, e ela a menos matemática... 

- Ó Susana, já pensaste que ela é só maluca? 

Não, não pode ser. Estouvados todos somos. 

- Ela pode estar ligada a certos rituais e ao ocultismo!!

Não, não pode ser só isso. A forma como ela o envolve na manta, o acarinha, fala com ele... Há ali qualquer coisa que merece mais explicação. Só se separa dele quando precisa de tirar a carteira da mochila. Senta-o num canto, verifica se ele está direito e confortável, dá um sorriso tímido e volta a atenção para o seu interlocutor. 

Todos sabem quem ela é mas ninguém a conhece. Sabem de histórias relacionadas com ela e com o seu companheiro mas ninguém sabe a origem daquela parceria. 

Eu que gosto de um bom mistério e que estou sempre a formular pensamentos vagos dentro da minha imaginação fértil e, por vezes, pouco útil, já avancei com duas hipóteses. Acredito que tenha perdido um filho e que precise de extravasar a necessidade de aconchegar e de mimar.  Ou, simplesmente, tenha encontrado o seu próprio método para suprimir a solidão. 

Não lhe consigo perguntar. Tenho receio de espoletar uma reação que cause embaraço. 

Ahhh... O mistério mantém a curiosidade viva. Quando se sabe a verdade, tudo fica menos interessante, a magia desaparece. Contudo, eu ainda vou descobrir... Eu ainda hei de descobrir... 

Eu hei de saber por que motivo a senhora de longos cabelos grisalhos se faz acompanhar de um sapo de peluche e o envolve como se de um bebé se tratasse.




Escrito por Susana Ferreira.