terça-feira, 20 de junho de 2017

O que provocou o incêndio em Pedrógão Grande?

Não só porque se trata de uma grande calamidade que está a assolar o nosso país, mas devido ao facto de pessoas próximas estarem a enfrentar esta catástrofe, decidi discorrer sobre ela. Concretamente, para que todos entendamos, a origem deste assombroso incêndio.





As chamadas nuvens "Cumulonimbos" desenvolvem-se nas seguintes condições:

  • Ar muito seco;
  • Humidade muito baixa;
  • Temperaturas muito elevadas.

Imagem ilustrativa das nuvens "Cumulonimbos"




Esta situação leva a consequências como aguaceiros e trovoada, somente aguaceiros ou a trovoada seca (trovoada sem aguaceiros).

Quando surgem aguaceiros, dada a elevada temperatura, a precipitação até chegar ao solo evapora-se, provocando a trovoada seca.




🔥


No caso de Pedrógão Grande, a conjugação de altas temperaturas e fraca humidade produziu descargas elétricas que resultaram num incêndio.

O conhecimento prévio deste acontecimento envolveria a participação de engenheiros florestais, no sentido de preverem o acontecimento e criarem medidas de prevenção junto das populações.


Fonte: http://www.ordemengenheiros.pt/fotos/editor2/regioes/regiaocentro/noticias/incendio.jpg



Esclarecimentos

O maior problema foi a falta de ordenamento das monoculturas de, principalmente, eucalipto. Só a prevenção feita a esse nível poderia ter evitado tal tragédia. Eventos meteorológicos sempre aconteceram e vão acontecer. O problema é que em vez de Portugal estar revestido da sua flora autóctone, preparada para os fenómenos meteorológicos que mencionaste, está coberto de maioritariamente pinheiro e eucalipto, sendo este último uma espécie exótica que está, entre muitas outras coisas "feita" para arder. O que se tem de fazer é uma consciencialização do problema que todos os anos assola o nosso país. Não arde por problemas meteorológicos, arde porque não há prevenção nem ordenamento das florestas. Nem vigilantes da natureza ou fiscalização.


O clima mediterrâneo é propenso a este tipo de fenómenos meteorológicos, ao qual a nossa flora se foi adaptando. Incêndios naturais sempre aconteceram e vão acontecer, pelo facto de ser uma forma da natureza manter o equilíbrio. Por isso, ao longo de milhares de anos a flora de cada local se foi adaptando para esses fenómenos mais ou menos frequentes. Mas o ser humano, como em tudo modificou... E modificou trazendo uma planta que é natural da Austrália onde existem milhares de fogos florestais anualmente, e está adaptou-se a conseguir competir com as outras espécies. Ela cresce muito rapidamente trazendo do solo todos os recursos, produzi um óleo nas suas folhas que é altamente inflamável e afasta todos os microrganismos pois não as conseguem consumir. Isto torna o solo pobre, onde pouco consegue crescer, o que significa muito baixa biodiversidade tanto de fauna como flora, e isso por si só já é grave. Num país com tão pouco território ainda se tira mais habitat à nossa fauna.Mas neste caso, o eucalipto está adaptado para arder e fazer arder...pois no seu local de origem é assim que consegue sobreviver.


Importante ler um artigo da revista Visão sobre o uso do eucalipto em Portugal: http://visao.sapo.pt/ambiente/opiniaoverde/joaocamargo/eucaliptugal-o-ecocidio-da-floresta-nacional=f752575


Inês Santos, aluna de Mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental



🔊


De acordo com o Instituto do Mar e da Atmosfera, as condições atmosféricas deste domingo são propensas para que o fenómeno se repita.


Esperemos que o mesmo não se confirme e que a situação seja rapidamente controlada e todos possam descansar e fazer o luto pelos seus familiares.





Escrito por Mariana Pinto
Esclarecimentos científicos de Inês Santos

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Riverdale 🍧🍹

Fonte: http://www.chuksmobile.com/tv_series/media/tvlarge-Riverdale_28.jpg


Depois de terminar Skam, que adicionei prontamente à lista das séries da minha vida, tive de me agarrar a outra história. A série que eu fosse ver a seguir nunca superaria a sensibilidade e a emoção da obra norueguesa, como tal, de espírito aberto, comecei a ver Riverdale, uma mistura de Scooby-Doo com os clichés de high school americano. Ainda bem que os géneros são completamente distintos porque, longe de comparações, pude assistir a Riverdale tranquilamente. Ainda não fiz o luto de Skam, uma vez que faltam dois ou três episódios para o grande término, mas já começo a sentir saudades (😭😭). 

Riverdale é o nome de uma cidade sombria e misteriosa. Desde o assassinato do jovem Jason Blossom, herdeiro de uma fortuna considerável, incluindo o negócio do xarope de ácer, que a população vive em sobressalto. As sucessivas notícias que publicam o desenvolvimento da investigação do homicídio e os danos colaterais que a morte de um dos gémeos Blossom deflagrou, fazem da cidade um autêntico local de caça às bruxas. Os adolescentes Archie, Betty, Veronica e Jughead aguçam a sua veia de Sherlock Holmes e começam a investigar por si. No meio desta encruzilhada, ainda têm de lidar com a disfuncionalidade familiar, com a pressão psicológica típica da fase de liceu e com as dúvidas que surgem relativamente ao percurso académico. Numa Riverdale à beira do colapso, o Pop's é o restaurante de eleição e o sítio mais seguro para o convívio e para um milk shake saboroso. 

O ponto positivo mais evidente desta série, para além do mistério muito bem montado, é a caracterização das personagens. O guarda-roupa e a maquilhagem conferem às personagens um lado caricatural pronunciado que satiriza os clichés americanos. Se, por um lado, Betty é a menina perfeita de rabo de cavalo repuxado, Cheryl é a ruiva sensual e lúgubre, uma mistura de Jessica Rabbit com o obscurantismo das narrativas de V.C. Andrews sobre os irmãos Dollanganger. 

A série é um original Netflix, mas é exibida pelo canal CW. A primeira temporada é composta por treze episódios e já há a confirmação para uma segunda (a estrear em outubro deste ano). Se também sentes que deverias ter seguido uma carreira na investigação, esta história é para ti. 😏😏



Escrito por Susana Ferreira. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Tu já és mãe e eu pratico com os filhos dos outros 😅

Umas vezes, a vida toma o rumo que se planeou, outras, aquilo que não foi programado, revela-se o melhor. E cada um vive consoante lhe apraz, por isso a amizade inclui a/o(s) que ainda estão a conquistar a estabilidade profissional, a/o(s) que constroem um caminho a dois e as que cimentam um lar e já contam com o primeiro filho. O primeiro caso é o meu e o segundo o da amiga a quem propus responder a algumas questões sobre esta fantástica imersão na maternidade.


Fontes: http://2.bp.blogspot.com/-3wY335ItT28/VUvSIYsOMWI/AAAAAAAAAeM
/O8KHZoJI1sg/s1600/desenho-colorir-dia-das-maes-1.gif
http://www.infohoje.com.br/wp-content/uploads/2013/09/desenhos.jpg




A tua gravidez foi planeada ou resultou de um "descuido"?

Nós já tínhamos falado em ser pais, mas queríamos organizar as coisas primeiro, ter uma casa melhor e com espaço para acolher um bebé. No entanto, aconteceu ao contrário. E, mesmo sem estar planeado, foi o melhor que podia acontecer. (Acredito que sim, e na verdade sempre achei que a maternidade era um desejo teu e algo que mais tarde ou mais cedo acabaria por acontecer.)


Quando é que tiveste consciência de que irias ser mãe?

Depois do teste dar positivo, talvez? (A maternidade não lhe "roubou" a prontidão e o sarcasmo nas respostas 😅)


De início assustou-te pensar que desempenharias esse "papel"?

Ser mãe não é desempenhar um "papel". É amar incondicionalmente e o "resto" vem por acréscimo. Agora, assustar, não sei... Sei que tive dúvidas (ainda tenho dúvidas e acho que vou sempre ter). Mais do género: irei conseguir cuidar dele? Saberei ensiná-lo/educá-lo? Conseguirei protegê-lo? Acho que uma mãe, por mais que tente dar sempre o seu melhor, vai pensar se poderia, de alguma forma, dar mais ou ser mais. (Desculpe lá se ainda não tenho esse aprofundamento e formulei a pergunta de maneira fria 😅; Mas sim, seja o que for que fizermos vamos ter sempre dúvidas se estamos a desempenhá-lo da maneira correta. Sempre que dou uma aula, no final procedo a uma autoavaliação, e caraças, saber que num dia não estive tão bem martiriza-me.)


Como te sentiste quando o bebé nasceu?

Feliz, por finalmente conhecer o amor da minha vida! Cansada, mas preenchida. Acho que foi uma explosão de sentimentos. E segurá-lo nos meus braços era tudo o que queria. (Na realidade, não consigo entender a emoção, faz parte da realização final de todo o processo de ser mãe. O mais próximo no momento é ficar radiante quando elogiam o meu trabalho ou uma aluno apresenta sucesso.)


Acreditas que a vontade de ser mãe surge em algum momento ou há quem não esteja destinada a sê-lo?

Considero que nada tem a ver com o "estar destinado". Um dia, acontece e percebe-se que é o melhor que podia acontecer. Mesmo no meio das incertezas. (Acho que sabes a minha opinião sobre esta questão, e eu própria tenho dúvidas no que se refere à minha predisposição para a maternidade. Mas confesso, interagir com os alunos mais novos despertou um sentimento de afeição e um lado cuidadoso e "familiar".)


O que é que o teu filho veio acrescentar à tua vida?

Acrescentar? Amor, sempre e cada vez mais amor. Amor verdadeiro, incondicional e único, que só uma mãe pode sentir por um filho. Devo dizer que também veio retirar horas de sono, mas nada que não se suporte. Vê-lo sorrir e palrar, brincar e aprender compensa essas horas de sono a menos. Aliás, depois de acordar, passados uns minutos, já nem se sabe o que é ter sono. Veio acrescentar aprendizagens: tudo tem o seu tempo, as refeições fora de horas e frias, também sabem bem; os banhos rápidos como se tivesse super poderes e, sem esquecer a super audição; o sono leve, é possível acordar até quando o bebé se mexe levemente. E as letras de músicas que se decoram só para o entreter e ver sorrir. (Se antes gostava de música, agora aqui por casa é só Xana Toc Toc e Panda e os Caricas, com algumas músicas tradicionais da nossa infância. E as séries substituídas pelos desenhos animados do canal panda.)

(Mais um sentimento que ainda me é transcendente. No entanto, sabendo do amor que os meus pais nutrem por mim não hesito em concordar que é assim. Lamento é dizer que ainda não estou psicologicamente preparada para abandonar as séries, ainda não sei quem é A.D em Pretty Little Liars e o Inverno tá quase aí em Game Of Thrones 😅)




Conselho para as futuras mães 👶

As coisas que servem para uma mãe , podem não servir a outra. Cada uma tem a sua maneira de ser, estar e viver. Que não se prendam ao que outras pessoas dizem: "Se fosse eu, fazia assim." ou "No meu tempo, era assim...". Cada mãe e respetivo bebé tem o seu tempo. Não são todos iguais, não vão todos dar o seu primeiro sorriso com um mês de vida e ter cólicas nos primeiros três. E esqueçam o "dar a maminha só de três em três horas". O bebé sabe pedir e nós, mães, aprendemos a ouvir. Uma hora depois, a criança pode querer não por ter fome, mas por querer o miminho de estar colado à mãe. Fundamentalmente, oiçam os bebés, não quem está de fora, por vezes, só atrapalham!






Uma entrevista CSD

Entrevistadora: Mariana Pinto