quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

The Marvelous Mrs. Maisel 💄🎤

Fonte: http://cdn.spoilertv.com/images/headers/the-marvelous-mrs-maisel.jpg


E, sim, vamos à segunda recomendação do ano, como já vos tinha antecipado no post anterior. Fiquei muito entusiasmada, quando, no domingo, soube que esta série havia sido galardoada com dois globos de ouro!!! Na realidade, uma obra tão simplesmente arrebatadora e genial não podia passar despercebida, até porque o guarda-roupa de Miriam, a nossa personagem principal, iria ficar a carpir até à próxima temporada de prémios. 

Lá chegaremos ao (maravilhoso) guarda-roupa, mas, para já, importa falar das linhas que cosem este (também maravilhoso) argumento. 

Em 1958, Miriam é a dona de casa perfeita. Na verdadeira aceção da palavra. Mrs. Maisel mede, cuidadosamente, a largura das suas ancas, do seu tornozelo, dos seus braços, do seu busto e até da sua alma, se for necessário. Aponta as suas medições num caderninho e, quando vai à ginástica, evita transpirar. Porque, como bem sabemos, suar não é coisa que fique bem a uma senhora. Mrs. Maisel veste muito bem e está sempre maquilhada. Sempre. Pelo menos, Joel não pode dizer que alguma vez tenha conhecido a cara lavada da esposa. Miriam tem muita atenção a esses pormenores... Quando Joel pega no sono, lá vai ela, a correr para a casa de banho, tirar as pestanas postiças, o batom e os pigmentos que dão o tom corado à face. No dia seguinte, é a primeira a acordar para montar, outra vez, a maquilhagem primorosa e o semblante que todos conhecem.

Para além dos dois filhos, Miriam vive para o marido e para o grande sonho dele: a comédia. Quando Joel sai da empresa, o casal costuma ir tentar a sua sorte num bar de novos talentos. Enquanto o senhor Maisel faz o seu número de stand-up, a senhora Maisel aponta, numa agenda, os altos e baixos da atução para que, na próxima oportunidade, possam melhorar e trazer piadas que surtam o efeito pretendido no público. A verdade é que Joel não é assim grande espingarda ... Que é como quem diz, não percebe da poda. Frustrado com os resultados medíocres que apresenta, Joel decide abandonar o lar e a vida perfeita que construiu. No calor da discussão, ainda revela à esposa que mantém um caso com a secretária da empresa. 

Na mesma noite da separação, Miriam, revoltada, sai de casa, de camisa de dormir e de sobretudo, e apresenta-se no bar de talentos. Do caos, nasce a excelência. Mrs. Maisel dá um show de comédia arrasador, pondo o público a rir, do início ao fim, com o desastre em que a sua vida acaba de se tornar. 


Fonte: https://images.theconversation.com/files/199029/original/
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Fonte: http://www.pajiba.com/assets_c/2017/12/mrs-maisel-best-tv-2017-thumb-700xauto-190422.jpg



Com a sua agente e amiga Susie, Miriam vai aperfeiçoar as artes do espectáculo, da comédia e do improviso. Convicta de que quer ser uma comediante de sucesso e de quer ultrapassar os machismos inerentes a essa profissão, Maisel investe na carreira que acabou por descobrir inusitadamente. Para sustentar a sua aprendizagem e as primeiras apresentações, a estreante não se coíbe de arranjar um emprego (como conselheira de maquilhagem) e de abandonar a casa gigante e dispendiosa em que habita. Ao longo dos episódios, dá gosto ver Miriam a transformar-se numa mulher mais do que capaz de se ''virar'' sozinha e de lutar pelas suas ambições. Mas... Será que Joel vai encarar este sucesso da ex-mulher de ânimo leve? Descubram nos singelos oito episódios da Amazon já disponíveis!!


Fonte: https://pmcvariety.files.wordpress.com/2017/11/the-marvelous-mrs-maisel-amazon-studios-2.jpg


Para além de apresentar improvisos fenomenais, Miriam apresenta, também, um guarda-roupa bem catita. 




Mrs. Maisel usa, quase sempre, um estilo muito elegante e bem guarnecido: vestidos midi com sobretudos de malha coloridos, um par de stiletto, luvas e uma boina. A maquilhagem é fácil... É só carregar nos batons vermelhos que têm aí por casa! 




Mais vestidos midi... Têm a opção de apostar num mais rodado ou num mais justinho e de malha! De acrescentar que a bijuteria de Miriam é, contrariamente aos outfits, mais minimalista: brincos com pequenos brilhantes, colares ou fios (junto ao pescoço), com uma pequena medalha ou pendente. 




Por vezes, nas suas performances, Miriam aposta num look mais descontraído, composto por calças cigarette clássicas e camisa ou camisola de gola alta. 

Divirtam-se a tentar adaptar estes looks a 2018 e... «GOOD NIGHT»! 



Fonte: https://i2.wp.com/wherever-i-look.com/wp-content/uploads/2017/12/Mrs.-Maisel.gif?resize=500%2C279&ssl=1




Escrito por Susana Ferreira

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Las Chicas del Cable 🕿📞

Fonte: https://aventurasdegaby.files.wordpress.com/2017/07/las-chicas-del-cable.jpg


A primeira recomendação deste ano é uma série! Ainda estou atordoada com estes estrepitosos anos 20... Julgo que as séries de época são, oficialmente, a minha perdição. Daqui a uns dias, tenho de vos falar de outra que também me arrebatou (anos 50, maquilhagem e guarda-roupa maravilhosos)!! Mas, primeiro, vamos hablar destas chicas telefonistas.

Alba Romero, mulher ardilosa, decide ir trabalhar para a companhia de telefones de Madrid. Bom, trabalhar não é propriamente o verbo. Roubar será mais adequado. Por, outrora, ter estado envolvida num crime, Alba é manipulada por Beltrán, um inspetor da polícia judiciária que faz da rapariga a sua galinha dos ovos de ouro: se a novata do centro de chamadas roubar para ele, nunca cairá numa cela e o seu passado nunca virá à tona.

Sem outra opção, Alba adota o nome de Lídia Aguilar, falseia os exames de admissão da companhia e, com facilidade, passa a ser uma das operadoras de farda azul. Uma vez lá dentro, o acesso ao cofre fica mais agilizado. Daí até roubar para satisfazer Beltrán, era um passo. Ainda que a senhorita Aguilar prefira uma atitude frívola e desligada, vacila quando conhece as suas colegas telefonistas Marga, Carlota e Ángeles e, mais ainda, quando percebe que o seu primeiro amor, Francisco, é o dono da empresa de telecomunicações.

Ao mesmo tempo que lida com os erros do passado, Lídia vai fazer de tudo para proteger e apoiar as amizades que acabara de formar. As quatro telefonistas vão unir-se para resolver os mais variados conflitos e para fazer valer as suas convicções. Marga, a menina do campo, percebe que a sua ingenuidade não é compatível com a vida moderna e acelerada da capital espanhola. No entanto, a sua inteligência e espírito de equipa favorecem os planos do quarteto feminino. Carlota aspira a liberdade, não quer depender de nenhum homem e, muito menos, ser subjugada pela conduta machista do pai. A sua persistência, senso de justiça e vontade de emancipação irão mudar algumas mentalidades e favorecer as classes mais oprimidas, não só da companhia, mas também da sociedade espanhola. Por sua vez, Ángeles, vai aprender com as suas chicas a ser mais independente, determinada e eficaz, já que a relação abusiva em que se encontra está à beira da rutura.


Fonte: http://almomento.mx/wp-content/uploads/2017/11/chicas.png

A série conta já com duas temporadas, cada uma com oito episódios (que passam a voar). Parece que esta primavera vamos voltar a ter novidades e, talvez, venha uma terceira fornada.




🕿📞


Se o argumento tem tudo para vos agarrar, creio que os adereços também. É quase impossível certos pormenores da maquilhagem e do cabelo passarem despercebidos. Assim sendo, deixo-vos três dicas de como trazer, para 2018, alguns apontamentos dos anos 20.



Fonte da imagem de base:
https://fashion.hola.com/imagenes/tendencias/2017122664134/
chicas-cable-netflix-moda-tendencias/0-261-583/chicas-cable-12-a.jpg

1.
Boina: Ainda que os chapéus  ou os pedaços de tecido a envolver a cabeça sejam uma das imagens de marca dos anos 20, as boinas também ocuparam o seu lugar de destaque. Elas regressaram este inverno e conferem um visual, a meu ver, mais elegante. Deixo-vos a minha sugestão aqui.




2. Batons: Nesta série da Netflix, predominam os batons vermelhos, bordô e beringela. Nas fotos que se seguem, não vos mostro nenhum exemplo desta última cor, todavia estou convicta de que, em qualquer loja de cosmética, encontram diferentes tons de beringela para todas as personalidades.










No que diz respeito ao vermelho, apresento-vos esta opção da Kiko: um batom de longa duração, matte, bem vermelhão. Se quiserem dar um ar mais glossy, é só passar com a ponta transparente nos vossos lábios.

Para o bordô, a minha sugestão recai sobre o lápis jumbo da Astra. Desliza muito bem na pele e a cor fica mesmo opaca. Uma vez que é um tom escuro e vistoso, o lápis passa a ser mais vantajoso no sentido de que têm mais controlo quando do desenho das linhas dos lábios.

Em terceiro lugar, apresento uma espécie de topping para os vossos batons de longa duração. Se passarem este rose gold metalizado sobre uma cor matte, vão obter um efeito muito bonito nos lábios. Assim, se quiserem dar uma ar mais ''Gatsby''/festivo à vossa maquilhagem, coloquem, muito suavemente, uma camada deste lip cream por cima da cor que escolherem como base.


Fonte da imagem de base: https://typeset-beta.imgix.net/2017/4/28/f979279c-cfd0-442c-a111-e588c573b788.jpg


3. Cabelo: Finalmente, e se repararem bem, era muito comum as senhoras usarem cabelos encaracolados ou ondulados. Por isso, peguem nesse modelador e divirtam-se! =) E vejam a série!!! Asseguro que vale a pena!! 📞📞📞




Escrito por Susana Ferreira.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Deus queira que sim


Deus nunca quis nada comigo. E, na verdade, eu quase nunca quis nada com ele. Perdão, com Ele. Quando me desejam boa sorte e muitas felicidades na vida, acrescentam sempre «Deus queira que sim, que consiga tudo o que deseja». 

Assim que dizem «Deus queira que sim», pressinto que Deus, ao ler o meu processo, declina de imediato as minhas ambições e dedica-se ao filho seguinte. Afinal, quem sou eu aos olhos do criador? Ninguém, não posso querer ser ninguém depois de uma infância infrutífera e de uma adolescência sem crisma. 


Ainda tive umas bíblias ilustradas e uns catecismos com criancinhas felizes, desertas para aprender a palavra do senhor. Perdão, do Senhor. (Afinal, as maiúsculas servem para realçar quem verdadeiramente as merece). Rapidamente percebi que me estavam a tentar vender a banha da cobra e, apesar de histórias muito lindas com dilúvios e arcas que albergavam todo o reino animal (sem que se desse início a uma cadeia alimentar complexa), eu sempre desconfiei do Senhor que, em apenas sete dias, ergueu a bola gigante em que habitamos. Nunca fui em cantigas (só na «Eu tenho um amigo que me ama» porque, algures no meu cérebro, há um coro de igreja a entoar este cântico mesmo que eu não queira) nem em parábolas, ainda que reconheça o seu valor expressivo. 


Dizem que chorei muito no meu batizado, mas eu era um bebé naturalmente rezingão. Deus tinha de perdoar as cólicas e a fome descontrolada de um ser que tinha acabado de brotar, por meio de ventosas, neste mundo. Fui absolvida, no entanto a primeira impressão é tudo. O meu segundo encontro com Deus deu-se quando entrei na catequese. Os primeiros tempos foram divertidos, porque prolongava a brincadeira com os amigos da escola e até estava contente. O pior foi quando faltei ao respeito, prestes a consumar a primeira comunhão, ao filho do criador. Sinto que a minha malapata espoletou aqui. 


A minha avó, muito atenta às necessidades eclesiásticas da neta, achou por bem perguntar:
- Então, Susana, quando o senhor padre te der a hóstia, vai dizer «O corpo de Cristo». Aí, o que é que tu respondes? Sabes? Vá, já vais fazer a primeira comunhão tens de saber isto!!
- (Pausa com tensão dramática).
- Então, sabes?
- Sim. Respondo «Está bem!». 



Às vezes um «Amém» pode assegurar uma vida repleta de fecundidade. Nunca se esqueçam. 


Bom, depois do segundo encontro houve mais um ou dois. Mas murchos. O espírito do Senhor nunca habitou propriamente em mim e eu decidi fazer uma vida independente. Não minto que recorri ao Pai para situações de aflição e que lhe paguei com uma Avé Maria e com um Pai Nosso, porque são as únicas orações que sei muito bem e porque cético que é cético gosta de desafiar o esotérico pontualmente. 


Mesmo não acreditando, sempre fui ao poço da esperança e do impossível tentar reanimar aquilo que toda a vida esteve morto em mim. Como se quisesse dizer «Vá, se algum milagre ou truque de magia existem, que seja agora!», embora sabendo muito bem que não existem forças sobrenaturais e, mesmo se existissem, não se iam revelar só porque eu estava a lançar um ultimato. Acho que é esse o verdadeiro problema... Para além de não acreditar n'Ele ainda o quero dirigir. Deus tem vários processos em cima da mesa e vários filhos para atender, por que motivo se ia ocupar com uma herege que nem sabe receber o corpo de Cristo? Deus deve olhar para minha lista de desejos e responder «Está bem!». E ainda acrescenta uns bigodes e uma monocelha na fotografia que consta da ficha de utente.




À parte estas divagações pré fim de ano, espero que tenham um bom Natal, com todos os lugares-comuns a que o Natal obriga e que nos deixam tão emotivos.



Amém.


Escrito por Susana Ferreira.